quinta-feira, 17 de junho de 2010

Publicizando comportamentos privados

Mudanças de contingências que permitem a publicização de comportamentos privados:

Situação 1 - Ficar sozinho
Você chegou em casa depois de um dia cheio. Entrou no seu quarto, jogou suas coisas sobre a cama e depois se jogou também. "Ai, tô morto. Aquela professora é um saco". São pensamentos que estavam circulando por sua cabeça já durante o dia, ou talvez durante seu trajeto para casa, mas chegar em seu quarto e trancar a porta cria a contingência perfeita para expressar verbalmente aquilo que antes estava encoberto. Em outras palavras, você fala sozinho. O benefício de falar sozinho é emitir tatos longe de uma audiência punitiva, visto que seu único ouvinte é você! Algumas pessoas escrevem em diários com uma função parecida.

Situação 2 - Ficar bêbado
Num estado de rebaixamento da consciência, a discriminação de estímulos do ambiente fica prejudicada, sobretudo avaliaçãoes de perigo. Isso nos leva quase sempre a emitir alguns comportamentos um tanto inadequados. Como diz o ditado "quando a cachaça entra, a verdade sai".

Situação 3 - Conversando com um amigo
Pense na última viagem que você fez só com a galera. Agora pense no relato que você fez dessa viagem para a sua mãe e para o(a) seu (sua) melhor amigo(a). Aposto que foram histórias bem diferentes. Diria mais, possivelmente, a história que você contou para sua mãe é uma versão editada, com menos fatos reais é mais situações desejaveis do que o que realmente aconteceu. A história que você contou para sua mãe não estava sendo controlada sobre seus tatos sobre a viagem e sim pela evitação de consequências negativas que com certeza viriam se ela soubesse da cachaça que você tomou por lá, por exemplo. Já na presença do amigo, mas é amigo meeesmo, seu comportamento público é quase totalmente semelhante ao privado. Você conta todos os fatos, impressões e sensações que teve sem necessidade de uma "edição". Afinal, um bom amigo nunca é uma audiência negativa né?

Consciência

Estar consciente/autoconsciente, para o behaviorismo, é reagir verbalmente a algo, ou seja, saber falar sobre ele.
Na raiz da palavra conscio, significa "se conhecer com os outros". Assim, tudo o que conhecemos é construído em conjunto com a comunidade verbal e o comportamento consciente implica dizer que o sujeito é capaz de descrever o que faz. Isso só é possível por meio das contingências colocadas pela comunidade verbal.
Essa é uma das explicações para o fato de animais não apresentarem comportamento verbal. Além das limitações de ordem biofísica (pelo menos aos nossos olhos), a ausência de comunidade verbal inviabiliza a possibilidade do desenvolvimento de uma consciência ou, como nós aqui dizemos, de um comportamento consciente.
O desenvolvimento de comportamentos conscientes está diretamente ligado com as contingências criadas pela comunidade que inventivam, modelam e reforçam tais respostas. Pessoas mais ou menos conscientes de si estão envolvidas em aspectos ambientais que possibilitam mais ou menos estímulos discriminativos para a emissão de autotatos (um comportamento consciente é um tato.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O conceito de conceito

Você saberia responder agora, sem olhar nenhuma fonte de consulta, qual o conceito de amor ou de justiça? Provavelmente alguns se arriscariam a dizer um "eu acho que é..." enquanto outras pessoas nem tentariam.
A todo momento ouvimos e falamos palavras sobre as quais não sabemos falar, mas isso não é o fundamental a princípio. Não falamos apenas sobre aquilo que sabemos conceitualizar, falamos, principalmente, quando temos uma grande chance de sermos reforçados.
As palavras que usamos na comunicação não são aquelas sobre as quais temos domínio conceitual, e sim as que foram reforçadas, em um contexto específico, ao longo de nossa história de vida. Com uma história, entretanto, acabamos por APRENDER o que uma palavra significa tateando sobre ela. Sabemos o que uma palavra quer dizer quando discriminamos seu uso do de outras palavras em diversas situações.

Aprender um conceito se basearia assim em três passos:
1) uma história de reforço produzindo um resultado desejado;
2) a resposta resultante
3) a propriedade controladora dos estímulos.
E assim, o controle bastante preciso estabelecido pela comunidade verbal tem como consequência que determinado termo seja aplicado apenas em um contexto específico de forma consciente.

Aprendemos sobre o que é amor do mesmo modo que aprendemos o que é uma cadeira. A comunidade verbal, entretanto,nossa grande professora, tem mais chances de verificar o que eu quero dizer quando digo "cadeira" do que eu quero dizer quando digo "amor". Em termos técnicos: o controle do estímulo "cadeira" é acessível tanto ao falante quando ao ouvinte, já no caso de "amor", apenas aquele que relata tem acesso ao estímulo.